Saiu do forno nesta semana a publicação de um estudo a respeito da adoção do ITIL no mundo. O interessante do estudo é que ele foi conduzido por uma pessoa famosa pelas críticas à biblioteca e patrocinado pela instituição responsável pela gestão da marca ITIL e dos treinamentos e certificações associados. Um exemplo prático de que opiniões divergentes podem trabalhar em conjunto para evolução de uma área de conhecimento.
O estudo em si tem como objetivo identificar a extensão da adoção do ITIL e os benefícios colhidos com a sua utilização. Ele analisa diversos outros estudos publicados por instituições independentes, por fornecedores de ferramentas de ITSM ou por consultorias especializadas em ITIL. Naturalmente, como ocorre a qualquer estudo, ele tem suas limitações; que foram inclusive apontadas pelo autor. Mas a despeito destas, ele possui um ponto positivo em destaque que é a utilização de uma metodologia consistente para análise dos objetos estudados.
A respeito dos resultados, acho importante destacar algumas conclusões:
- Ainda não existe um consenso entre os praticantes, consultores e fornecedores a respeito do que seria “adotar ITIL”. Cada grupo ou região interpreta a adoção da biblioteca como algo diferente;
- Segundo o estudo, entre 30% a 80% das organizações estudadas utilizam ITIL. É uma variação muito grande que reflete a falta de consistência entre os estudos realizados;
- De acordo com o ranking realizado pelo estudo, os benefícios da adoção do framework são: maior satisfação dos clientes, controle de custos e melhoria no tempo de resposta;
- Alguns estudos analisados demonstraram a relação entre os resultados obtidos e a maturidade dos processos existentes, confirmando uma opinião apresentada aqui no blog;
- Dos 23 estudos analisados, somente 1 apresentou informações consistentes sobre a adoção do CMBD/CMS. E as informações apresentadas dão conta de que menos de 10% das organizações os utilizam com a extensão pregada pela biblioteca.
Minha análise, que é compatível com minha percepção do dia a dia, é que o framework ITIL ainda não conseguiu atingir o platô de produtividade. Se uma das principais vantagens assessórias do uso da biblioteca é a criação de um vocabulário comum, como explicar a falta de consenso a respeito do que seria “adotar ITIL”? E o índice de utilização entre 30% e 80% encontrado nos estudos analisados? Como interpretar o limite inferior do intervalo sabendo que o tipo de estudo analisado tem, como identificado pelo autor, um viés pró-ITIL?
Eu confesso que minha visão é um pouco pessimista. Defeito de fabricação.
Mas que o estudo dá voz a alguns grilos ninguém pode discordar. Ou pode?



Comentários